O acadêmico Eduardo Ferreira: “É bastante comum os pais ficarem perdidos quando damos a notícia de que seu filho sofreu abuso ou exploração sexual”
Em 18 de maio se comemora do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Contra a Criança e Adolescente, este ano com o tema “Esquecer é Permitir, Lembrar é Combater”. Em Alfenas, o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) está promovendo esta campanha, que se iniciou no dia 26 de abril e se encerra em 17 de maio. A UNIFENAS apoia este trabalho por meio das Liga de Pediatria e da MedJus (Medicina Jurídica).
No lançamento da campanha, no Teatro Municipal de Alfenas, os membros da Liga de Pediatria proferiram a palestra “Abordagem médica nos casos de abuso sexual de menores e procedimentos a serem tomados”. Em sua fala, o vice-presidente da Liga, Eduardo Ferreira da Silva, enfatizou que, quando a criança sofre a violência, ela apresenta tristeza constante, choros sem motivo aparente, distúrbios do sono, pesadelos frequentes, atraso e dificuldades no desenvolvimento da fala, dificuldades de socialização e tendência ao isolamento, entre outros. “É bastante comum os pais ficarem perdidos quando damos a notícia de que seu filho sofreu o abuso ou a exploração sexual; por isso, é papel dos médicos orientar estes pais. E é importante que não só a criança faça um tratamento psicológico, mas a família também deve receber o acompanhamento do profissional de psicologia”.
O prefeito de Alfenas, Maurilio Peloso, também compareceu à abertura da Campanha. Para ele é preciso realmente que o Estado, por meio dos municípios, combata esta situação. “Quando vemos, pela televisão, uma notícia de exploração sexual, ficamos com muita pena daquela criança. E vemos isso raramente, porque esta situação fica escondida”.
Maria José Silvério, coordenadora do Creas, conta que está fazendo um trabalho junto às escolas e às famílias, levando a elas informações de como detectar se a criança está sofrendo algum tipo de abuso ou exploração sexual.
Renata Rezende, delegada de polícia de Alfenas, relata que infelizmente a ocorrência de abuso e exploração sexual infantil é intensa e ocorre, na maioria das vezes, dentro do ambiente familiar. “Como a vítima é uma pessoa em desenvolvimento, é difícil o delito chegar ao nosso conhecimento para iniciarmos o processo de investigação”.
A delegada diz que, em caso de suspeita, as pessoas podem fazer a denúncia por meio virtual através de sites do governo federal sobre crimes contra a violência sexual e contra a dignidade da pessoa humana ou até mesmo procurar a unidade policial. “A identidade do denunciante será preservada”.
De acordo com Renata, a pena para o autor deste crime é de reclusão sem fiança.
Idelma Aparecida Caproni, psicóloga e gestora do Centro Educacional Zita Engel Ayer, esclareceu sobre o comportamento da criança que sofreu a violência. Segundo ela, a criança se fecha, se retrai, não gosta de contato físico, seu aprendizado não se desenvolve, não consegue manifestar nenhum tipo de emoção. “Quando percebemos algumas destas características, convocamos a família para conversar e saber o motivo destas atitudes”.
As Ligas de Pediatria e de Medicina Jurídica (MedJus) estão participando das ações junto ao Creas de Alfenas.