Breno Terra durante palestra para os participantes
A falta de chuva nos últimos meses interferiu na produtividade do milho. O mesmo prejuízo “amargado” por muitos produtores também alcançou os ensaios do Sul Milho (Encontro Sul Mineiro de Produtores de Milho). Apenas quatro, das nove empresas produtoras de sementes para grãos e silagem, que participariam do evento, estiveram presentes ao Dia de Campo realizado na Fazenda Vitória, em Alfenas, na quinta-feira, 27 de março.
Há 11 anos o Sul Milho é realizado com a proposta de apresentar aos produtores da região as biotecnologias aplicadas aos híbridos de milho, pelas empresas participantes. Sob as mesmas condições, ensaios são realizados com as sementes fornecidas pelas empresas e, no Dia de Campo, os resultados dos híbridos cultivados em uma área de 3 hectares são expostos. Assim os produtores têm a possibilidade de identificarem quais atendem melhor as suas necessidades.
Embora prejudicado pelo “ano atípico”, como afirmaram Wilson Lasmar, coordenador técnico da Emater Regional, e o professor doutor José Messias Miranda, coordenador científico do encontro, a realização do Sul Milho reforça o compromisso de levar orientação aos produtores rurais. Como disse o professor da UNIFENAS, é nos momentos de dificuldade que todos devem se unir na busca de soluções. “Houve problema de seca, de vento e acamamento com uma perda para os produtores que chegou a 50, 70 até 100%. Então é o momento de nos mostrarmos solidários com os produtores, apresentar-lhes alternativas e dar um novo rumo para a cultura do milho a partir desse evento climático que há 40 anos não acontecia no sul de Minas”.
Uma das soluções apontadas por José Messias para se prevenir prejuízos futuros como os ocorridos neste ano é a diversificação da época de plantio. De acordo com ele, os plantios que ocorreram antes de 10 novembro de 2013, com híbridos superprecoces, conseguiram ter uma produtividade razoável, que garantiram os custos e uma pequena lucratividade, graças à reação dos preços.
Dia de CampoOrganizado pela UNIFENAS, Emater, Fazenda Vitória e a Prefeitura de Alfenas, o Sul Milho, em sua 11º edição, atraiu um público de aproximadamente 500 participantes, entre produtores e estudantes da área de agronomia.
O representante da Emater, Wilson Lasmar, considerou o evento positivo, ainda que com os problemas encontrados: “Os produtores receberam informações que são importantíssimas para a condução de suas lavouras, mesmo em tempo de adversidades”, disse.
Quem participou do encontro pôde visitar os estandes das empresas Morgan Sementes e Biotecnologia, Du Pont, Riber e LG – Limagrain Guerra. Houve também o estande da Valtra, empresa de máquinas e implementos agrícolas.
Para Baltazar Alves, produtor que teve uma perda de 40% em sua plantação, participar do encontro e das palestras proferidas pelos técnicos das empresas só traz benefícios. “A gente aprende aqui mais alguma coisa de tecnologia e, assim, podemos trabalhar no nosso dia a dia”, disse o produtor da cidade de Areado e presidente do Sindicato dos Produtores Rurais daquele município.
Como um dos representantes das empresas expositoras, Cristian Freire, afirmou que o Sul Milho é um dos maiores eventos do sul de Minas e, dada a sua magnitude, as empresas produtoras de sementes não podem ficar de fora. “É uma vitrine! Mostra como o material fica em situações adversas. Aqui é um clima aberto, com muito vento, teve muita seca, e o produtor precisa saber o que vai plantar na próxima safra”, afirmou.
Além das empresas patrocinadoras presentes ao Sul Milho, o encontro também contou com o apoio do Banco do Brasil, do Sebrae, da Copasa e da Acia – Associação Comercial e Industrial de Alfenas.
Aprendizagem acadêmicaNão são apenas os produtores os beneficiados com o conhecimento transmitido no Sul Milho. Estudantes da área de agronomia de toda região também participam do encontro. Para os alunos do curso de Agronomia da UNIFENAS a experiência é ainda maior, pois participam desde o plantio dos ensaios até a organização do Dia de Campo.
No 7º período do curso da UNIFENAS, Jean Ricardo Martins disse que com o encontro pôde acompanhar todo o desenvolvimento das plantas e ver de perto os problemas causados pelo clima. No Dia de Campo, conheceu o melhoramento que cada híbrido recebe: “Todo ano aparece uma nova tecnologia, uma nova doença, uma nova praga. Então a gente sempre aprende mais”.
Hoje, como representante comercial de uma das empresas expositoras, Breno Terra, que se formou em Agronomia pela UNIFENAS em 2003, acompanhou como estudante os primeiros eventos do Sul Milho. “No período como acadêmico, a gente tem um embasamento teórico muito grande, porém a formação técnica, de campo, são feiras como esta que nos traz em o enriquecimento profissional”, destacou.
Abertura do EncontroA abertura do Encontro Sul Mineiro de Produtores de Milho ocorreu no dia 26, no Salão Professor Edson Antônio Velano, na Biblioteca da Universidade. Com o apoio do Sebrae, foi convidado para proferir palestra o professor Renzo Garcia Von Pinho, da Universidade Federal de Lavras, que é consultor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, CNPq e de várias revistas. Além de pesquisador, ele já proferiu mais de 150 palestras sobre a Cultura do Milho.
A palestra na Universidade destacou a origem do milho (México), sua importância, o agronegócio, suas crises e oportunidades. Professor Renzo falou sobre o problema da seca no sudoeste e região central do Brasil, que afetou a safra de verão e provocou a redução na produção. Por outro lado, o excesso de chuva em regiões produtoras, como o Mato Grosso, implicou o atraso do plantio do milho safrinha e, por isso, existe a possibilidade de uma redução na sua produção. “Nós estamos em um cenário de redução de produção de milho, talvez em torno de 8 e 9% e um mercado internacional com preços em elevação”.
O professor ressaltou, ainda, que a escassez de chuva no sul de Minas foi a pior nos últimos 40 anos. “Temos regiões em que os produtores foram bastante penalizados e isso já se reflete na elevação de preço, em torno de 20 a 30% em relação ao que estava, por exemplo, em dezembro e janeiro”.
Em um cenário nada amistoso para os produtores, Renzo aconselha a buscar as boas práticas culturais: plantar nas épocas corretas e procurar trabalhar com o máximo de tecnologia e utilização de insumos. “Nós temos visto um diferencial entre aquelas lavouras que foram bem cuidadas, bem adubadas, plantadas na época correta, que utilizaram a tecnologia e técnicas de manejo mais avançadas; elas suportaram mais a situação de seca”, enfatizou.
Nutrição presente ao Sul MilhoAlunas do curso de Nutrição da UNIFENAS também participaram do Dia de Campo. As estudantes do 1º e 5º períodos deram dicas sobre a conservação do milho verde e mostraram os benefícios deste cereal para a saúde e para a dieta. Rico em carboidratos e ótima fonte de energia, o milho alivia a vontade de comer doces, ajuda na prevenção de doenças cardíacas, é rico em vitamina B1 e traz uma série outros de benefícios para a saúde. A única restrição é para o milho em conserva, que é rico em sódio.