O egresso do curso de Fisioterapia, da UNIFENAS, câmpus de Campo Belo, Rodrigo Caetano Arantes, participou como pesquisador e autor de um capítulo do livro "Equidade na Saúde: O Programa de Saúde da Família em Minas Gerais", financiado pela Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais. Rodrigo foi responsável pelo capítulo "A saúde do idoso em Minas Gerais e a utilização de cuidados preventivos: uma análise com base no Programa de Saúde da Família (PSF)".
Além de bacharel em Fisioterapia pela UNIFENAS, Rodrigo é mestre em Gerontologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP); doutor em Demografia pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar/UFMG); Pós-Doutor pelo programa CAPES/MES-Cuba, com convênio entre a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidad de La Habana (Havana/Cuba); pesquisador assistente no Grupo de Estudos em Economia da Saúde e Criminalidade (GEESC); docente do curso Qualificação em Cuidado Domiciliar da Pessoa Idosa Frágil da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG); bolsista de Extensão no País do CNPq – nível lB.
O egresso concedeu entrevista ao Jornal da UNIFENAS.
JU - Como foi participar como pesquisador desta obra? Como se deu essa participação?
Rodrigo - O livro“Equidade na Saúde: O Programa de Saúde da Família em Minas Gerais" originou-se de pesquisa homônima conduzida por pesquisadores da UFMG, do qual faço parte. Nele tem um capítulo intitulado: "A saúde do idoso em Minas Gerais e a utilização de cuidados preventivos: uma análise com base na ESF (Estratégia de Saúde da Família". O levantamento apresentado permite mapear o risco de fragilidade dos idosos no estado. A minha participação se deu como pesquisador do GEESC (Grupo de Estudos em Economia da Saúde e Criminalidade) da Universidade Federal de Minas Gerais, que realiza pesquisas financiadas pela SES/MG (Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais).
J U - Qual o objetivo da sua pesquisa que originou sua publicação?
Rodrigo - Neste livro, juntamente com outros pesquisadores, participei do capítulo sobre a saúde dos idosos em Minas Gerais, intitulado: “A saúde do idoso em Minas Gerais e a utilização de cuidados preventivos: uma análise com base no PSF (Programa de Saúde da Família)”. Experiência muito gratificante, pois nele temos dados sobre fragilidade e cuidados preventivos (realização de exames rotineiros) dos idosos que utilizam o sistema público de saúde em Minas Gerais. O livro também tem resultados para outros grupos que utilizam serviços públicos de saúde, como: mulheres, crianças e gestantes.
Os resultados encontrados mostram variação regional e por classe socioeconômica, no que se refere à fragilidade, à morbidade dos idosos e à utilização dos cuidados preventivos. Apesar de ainda se verificar um gradiente socioeconômico na utilização dos serviços de saúde, a ESF parece contribuir para a redução dessas desigualdades na utilização dos serviços da atenção primária nesse grupo populacional. Foi avaliada a cobertura de vacina contra a gripe e a realização de exames preventivos, tais como exame de sangue, urina, fezes, próstata (PSA), mamografia e colo do útero. Procurou-se analisar também a cobertura da caderneta de saúde do idoso. A implementação dessa caderneta faz parte de um programa do Ministério da Saúde lançado em 2007. Além da utilização de cuidados preventivos de saúde, foram também analisados indicadores associados às condições de saúde e risco de fragilidade dos idosos. Os marcadores adotados foram: ficar sozinho a maior parte do tempo, quedas nos últimos 12 meses, dificuldade para realizar atividades físicas tais como andar uma rua e subir um lance de escada, limitações na realização de atividades básicas da vida diária (ABVDs), qualidade da visão e audição e presença de doenças crônicas. Foram investigados 3.629 idosos residentes em áreas urbanas potencialmente cobertas pela ESF. O corte de idade considerado para a definição de idoso é de 60 anos.
J U - Pela sua trajetória, que se iniciou no seu curso superior na UNIFENAS, o que você tem a destacar da instituição, sua importância em sua história acadêmica e profissional?
Rodrigo - Em minha época de graduação sempre tive o perfil de pesquisador, participando de projetos de iniciação científica, monitorias e organização de eventos científicos. Sempre me interessei pela pesquisa, e docência e a UNIFENAS foi muito importante pela descoberta deste perfil em minha formação acadêmica. Toda graduação, independente da área, dá a chance aos alunos de descobrirem isso. Entretanto, nem todos alunos despertam. A epistemologia (teoria do conhecimento) está enraizada nas pesquisas realizadas nas diversas áreas do conhecimento feitas nas universidades. E a cientificidade dos resultados adquiridos por pensadores em seus trabalhos ajudam a responder às dúvidas diversas e a fundamentar as teorias sobre determinado assunto.
JU - Qual o motivo da sua escolha por esta área do idoso? E como é desenvolver projetos nessa área no Brasil? Quais os desafios?
Rodrigo - A minha escolha pela área do envelhecimento e idosos se deu pela realização de estágios em Instituições de Longa Permanência (ILPIs) oferecidos no curso de graduação da UNIFENAS. A área de pesquisa em envelhecimento e idosos no Brasil está em franco crescimento, tendo em vista o novo perfil populacional que se desenha em nosso país, com maior número de idosos. Assim, a gerontogeriatria é uma disciplina de importância ímpar para a formação de profissionais das ciências da saúde e ciências sociais.
JU - Fale um pouco sobre sua experiência profissional.
Rodrigo - Trabalhei por um tempo como fisioterapeuta especializado em Geriatria e Gerontologia e, agora, atuo como pesquisador na área de envelhecimento e saúde coletiva. Em geral, as pesquisas científicas de que participo na UFMG sempre se convertem em políticas públicas para benefício da população. O Governo Federal subsidia tais pesquisas nas universidades federais, com a finalidade de melhorias nas condições de vida e saúde da população como um todo, e, em outras pesquisas mais específicas, de idosos.
Sempre atuei na área de docência e pesquisa. Já fui professor em instituições particulares e públicas de graduação e pós-graduação. Atualmente, trabalho na Escola de Saúde Pública e no Centro Interdisciplinar de Assistência e Pesquisa em Envelhecimento (CIAPE). Realizei meu pós-doutorado em um convênio firmado pela Universidade Federal de Minas Gerais e Universidad de La Habana (Cuba). Experiência muito gratificante, pois Cuba já se situa como um dos três países mais envelhecidos da América Latina e Caribe e está, inclusive à frente do Brasil, em termos relativos, no número de idosos em sua população. Para se ter uma ideia, Cuba em 2010, tinha 17,8% de pessoas com 60 anos ou mais (idade que se considera um indivíduo como idoso), ao passo que o Brasil tinha para o mesmo ano, 12% de pessoas nesta idade. Cuba também já é um país que se desponta na maior longevidade dos seus idosos. Em termos relativos já ultrapassou o Japão com relação ao maior número de centenários e supercentenários.
JU - Pelo artigo, vemos várias situações de vulnerabilidade do idoso. Quais os principais problemas e desafios para envelhecermos com maior qualidade de vida?
Rodrigo - A meu ver, os principais desafios a serem enfrentados pelos gestores públicos para se alcançar qualidade de vida na velhice referem-se à adoção de políticas públicas que garantam a conscientização e prática do envelhecimento saudável por todos. Ao se analisar gastos públicos em saúde, observa-se que é mais barato cuidar de uma população envelhecida saudável que cuidar de uma população envelhecida doente. Por isso, urgem políticas públicas que tornem acessíveis a todos as práticas do envelhecimento saudável. Tais medidas de envelhecimento saudável incluem a prática de atividades físicas, alimentação saudável, manutenção das relações sociais, abstenção do fumo e ingestão moderada de bebidas. Tendo em vista que estamos em constante processo de envelhecimento, cabe a todos adotar tais medidas ao longo do curso de vida para se alcançar a qualidade de vida na velhice. Segundo projeções das Nações Unidas, em 2020, 16% da população brasileira será constituída por idosos (60 anos e mais), sendo 34 milhões de pessoas. Este processo de envelhecimento populacional, conhecido como transição demográfica, se dá principalmente pela diminuição da fecundidade (menor número de filhos tidos pelas mulheres) e menor mortalidade das pessoas (pelos avanços das pesquisas em saúde). Concomitantemente, ocorre a transição epidemiológica com o aumento das doenças crônico-degenerativas, características das populações envelhecidas, e diminuição das doenças infectocontagiosas. O maior número de idosos tem sérias repercussões no direcionamento e nos gastos públicos (em saúde, assistência social e previdência). Além disso, outra questão se refere ao sistema previdenciário, pois há fortes indícios de que o número de pessoas em idade ativa no mercado de trabalho não conseguirá manter o orçamento financeiro das aposentadorias (alerta aos que contribuem para a previdência: a previdência privada é uma boa saída!). Temos que pensar também no planejamento urbano e domiciliar para uma melhor locomoção e menor índice de acidentes de idosos. Outra questão a ser constantemente pesquisada se refere aos cuidados. Neste sentido muitas pesquisas tem sido direcionadas no intuito de se responder quem cuidará dos futuros idosos com a participação cada vez maior da mulher no mercado de trabalho. Nesta linha, surgem evidências da importância de cursos profissionalizantes para a formação de cuidadores formais de idosos.
JU - Considerações finais...
Rodrigo - Por fim, gostaria de agradecer a todos os professores da UNIFENAS que contribuíram para minha formação acadêmica.
Os interessados podem baixar o livro na íntegra pela internet: http://ow.ly/wvnMT