Dona Nadir e sua filha Áurea inaugurando a rampa móvel
O Curso de Padagogia, dentro de uma concepção inclusivista, desenvolve no 3º período a disciplina de Educação Inclusiva, cuja ementa é pautada em políticas educacionais visando à educação para todos. Sendo assim, os alunos puderam assistir a diversas palestras relacionadas com o tema inclusão social e também apresentaram materiais adaptados, elaborados por eles.
A professora da disciplina, Maria Cristina Silva, observa que a UNIFENAS contempla esta máxima, pois ela é toda adaptada pensando em acessibilidade, como, por exemplo, rampas de acesso, piso podo tátil, elevadores e intérpretes de Libras. “A partir do conhecimento destes documentos, são pensadas as práticas pedagógicas para o trabalho de alunos com necessidades especiais, vertente da proposta inclusivista”.
O primeiro palestrante foi Adriano, usuário de cadeira de rodas, membro da ADEFISA – (Associação dos Deficientes Físicos de Alfenas), que falou da importância da acessibilidade em todos os espaços. Ele relatou que ao aluno cadeirante, tudo é possível, desde que o ir e vir estejam garantidos por meios acessíveis, como, por exemplo, rampas de acesso, banheiros e bebedouros adaptados, ou seja, infraestrutura que possibilite a locomoção.
O segundo encontro contou com a participação do professor de História, Nildo Antônio de Paiva, que é cego e leciona aulas em Paraguaçu. Ele falou da riqueza de conviver com as diferenças, da importância de recursos pedagógicos próprios para alunos com baixa visão e cegueira. Explanou também sobre o Método Braile, bem como outros materiais táteis usados na escolarização de alunos cegos.
Na área da surdez, os estudantes receberam a educadora de surdos Elaine Baia, do município de Campo Belo que, acompanhada de filho e sobrinhos surdos, abordou a necessidade de professores e instituições conhecerem a Libras - Língua Brasileira de Sinais. Em sua opinião, muitas famílias não têm condições de assumir a formação do filho surdo, cabendo à escola a educação, formação e construção da identidade. “Essa tríade só se faz a partir da aquisição de uma língua. E, por compartilhar deste desejo de acessibilidade para o surdo, a UNIFENAS inseriu, desde o ano de 2007, a Libras no curso de Pedagogia e, posteriormente, nos demais cursos do câmpus, sendo oferecida ainda como Extensão e Pós- graduação”, comenta professora Maria Cristina.
Segundo os palestrantes surdos, é muito difícil, e às vezes impossível, receber informações, instruções e interagir com a comunidade escolar quando não há presença de intérpretes ou professores que conheçam a língua de sinais.
Para Maria Cristina, a aquisição de conhecimentos teóricos e a troca de experiências possibilitaram aos acadêmicos perceberem que, embora haja legislação que contemple a diversidade no âmbito escolar, a permanência e o sucesso destes alunos não estarão garantidos sem uma metodologia centrada na condição do aluno, enquanto ser único, na sua condição única, com suas especificidades, limites e possibilidades. “Urge descontruir conceitos como a deficiência e a incapacidade, que cada aluno, independente de recursos demandados, tem direito a uma educação de qualidade que, sendo para todos, seja para cada um. Compreendeu-se ainda que cabe ao professor vislumbrar, dentro de cada situação, o meio, o recurso, o instrumento. Nenhuma destas ações se sustenta somente a partir de leis e técnicas, sendo necessária uma postura que considere o respeito à diversidade como norteador de todo o fazer pedagógico”.
Materiais adaptados e rampa móvelNo último encontro, houve a inauguração da rampa móvel, pela cadeirante Aúrea. A compreensão dos acadêmicos de que acessibilidade pode ser promovida por todos efetivou-se na confecção desta rampa para as salas de aula que recebem alunos, palestrantes, convidados cadeirantes dando-lhes condições de acessar ao púlpito.
Em seguida, a mãe de Áurea, Nadir Luiza Alves, professora na APAE de Alfenas, falou sobre a importância da acessibilidade aos cadeirantes em todos os lugares da cidade, como restaurantes, praças, teatros, cinema, igreja, todos os locais onde as pessoas transitam. Para ela, as barreiras precisam ser ultrapassadas para que o novo, o diferente sejam experimentados.
Logo após, os acadêmicos apresentaram suas oficinas de materiais adaptados para o trabalho de alunos com síndrome de down, autista, com baixa visão, cego e surdos. “A elaboração destes materiais possibilitou aos acadêmicos exercitar a criatividade, sentirem-se mais seguros com relação às práticas como futuros professores atuantes na diversidade” enfatiza a professora Maria Cristina.