Colaborador do Centro Pró-Sorriso (Centrinho da UNIFENAS), Hercílio é Diretor Adjunto de Ciências da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais
Everton Marques
Doutor Hercilio, como ele mesmo frisou, é colaborador nos projetos e participa das discussões de pesquisa e ciência da UNIFENAS
Comprometimento! Esta é uma palavra que nos habituamos a ouvir de egressos da UNIFENAS, hoje profissionais reconhecidos em suas áreas de atuação. Não foi diferente o que ouvimos do professor Dr. Hercílo Martelli Junior durante entrevista concedida na Central de Jornalismo da UNIFENAS. Indicado pelos membros da Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) e nomeado pelo Governador Antonio Anastasia como Diretor Adjunto de Ciências da Fundação, ele sobrepõe à sua satisfação pessoal, pela conquista do cargo, o comprometimento de fazer algo para a sociedade.
Aos 37 anos de idade, doutor Hercílio, desde 1996, quando terminou a sua graduação em Odontologia, pela UNFENAS, campus de Alfenas, galga degrau por degrau e consolida sua posição como pesquisador. A paixão pela pesquisa começou ainda na graduação, posteriormente se especializou em periodontia e patologia, depois mestre em biologia oral e doutor em estomatologia e patologia pela Universidade Estadual de Campinas. Participou do programa de recém-doutor da Fapemig e hoje é pós-doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais atuou como membro da Câmara de Ciências da Saúde por 2 anos, foi conduzido a presidência desta mesma Câmara por mais 2 e nos últimos 4 anos foi consultor do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Nesta entrevista o egresso do curso de Odontologia fala de suas atribuições na Fapemig, da pesquisa no Brasil e da importância da iniciação científica, mesmo para aqueles que não desejam seguir este caminho.
Como o senhor recebeu a nomeação para Diretor Adjunto de Ciências da Fapemig?
Em primeiro lugar é uma honra para nós podermos servir. A palavra que sempre nos tem guiado, em termos de atuação profissional, é a ideia do serviço. Então, quando fomos solicitados para essa missão, por parte da diretoria superior da Fapemig e particularmente pela presença do professor Anastasia [governador de Minas Gerais], além da responsabilidade que ela nos impõe, é uma satisfação servir um pouco a comunidade, sobretudo no aspecto da ciência, tecnologia e inovação no Estado de Minas Gerais.
Qual será o seu papel como diretor adjunto?
De forma resumida, nós estaremos voltados para as atividades, sobretudo científicas, ligadas não só à comunidade acadêmica, mas aos setores empresariais que se relacionam com as atividades de tecnologia e inovação. E em uma missão, perseguida pelo Estado de Minas Gerais, que é a internacionalização da agência [Fapemig]. Ou seja, estabelecer cooperações com outros países.
Essa nomeação seria o reconhecimento ao seu trabalho como pesquisador?
Sempre vejo qualquer um destes convites muito no sentido de missão. Eu penso a pesquisa, a tecnologia, a inovação, lembrando um pouquinho como Albert Einstein [físico alemão] falava: “é nós nos aventurarmos por um mistério”. E esse mistério é o mistério do conhecimento, do saber. Embora haja a satisfação pessoal, sempre penso que toda a atividade de pesquisa, de tecnologia e inovação tem que ter um alvo comum, que é melhorar a sociedade em que estamos inseridos. Muito mais que uma questão pessoal, penso em servir a sociedade, ou seja, aquela que de fato mais necessita dos desdobramentos que a ciência tem a oferecer.
Durante a academia na UNIFENAS era esse o seu pensamento?
Não tenha a menor dúvida de que esta ideia de participar, de colaborar com as atividades de investigação científica não começaram na pós e sim na graduação. Hoje a ideia da pesquisa começa no ensino médio, com um programa chamado “Iniciação Científica Junior”. No meu caso específico, tive uma grande felicidade de, durante o curso de graduação na UNIFENAS, gozar de um programa de iniciação científica bem estabelecido, bem solidificado. E que, não tenho dúvida, muito ajudou na minha trajetória.
E o que senhor diria da trajetória profissional a partir da pesquisa?
O Brasil tem dado um salto quantitativo e qualitativo muito expressivo nos últimos anos. Nós podemos trabalhar com alguns indicadores, por exemplo: o Brasil é o 13º país do mundo com a maior produção científica e em poucos anos estaremos entre os 10. Este é um dado baseado na produção científica. Voltando à questão da graduação, sempre nos perguntamos: Que mal tem um aluno se envolver com a investigação científica? Nenhum! Será que esse aluno necessariamente terá que caminhar para uma carreira de pesquisador? Não necessariamente! Ele pode ser um clínico em qualquer área, porém a experiência na iniciação científica, isto está bem documentado, mostra que o espírito crítico, a articulação profissional, a inserção deste futuro profissional no mercado se dão de uma maneira muito mais intensa do que em outros estudantes.
Qual seria a sua orientação para os alunos de graduação?
Se nós pudéssemos direcionar algumas palavras para esse estudante, eu não tenho dúvida de que eles deveriam buscar além do seu curso de graduação. Não exclusivamente a pesquisa, podem ser projetos de extensão, de estágio. O estudante deve pensar que aquele trabalho que ele está desenvolvendo, por mais simples que seja, é um trabalho de geração de conhecimento. Ele sai de uma visão, de um ouvinte do conhecimento e passa para a visão de gerador de conhecimento. Então o conselho ao estudante de iniciação, ao estudante de graduação é: se envolva com práticas de investigação científica.
Fale sobre a sua ligação com a UNIFENAS?
Tenho a felicidade de poder participar de um grupo muito estruturado e de um serviço que antes da pesquisa é um bem social, que é o Centro Pró-Sorriso; e que sabiamente o professor Edson Antonio Velano [fundador da UNIFENAS], com toda a administração da Universidade, pensou, sonhou e este sonho é uma realidade. Não tenho dúvida de que a administração superiora da instituição sabiamente tem mantido e investido no Centro Pró-Sorriso; que, além de nos permitir uma participação muito íntima, em termos de alguns estudos, mas acima de tudo devolver às crianças, que diariamente procuram a instituição, uma melhor qualidade de vida.
A Fapemig completa 25 anos. A sociedade às vezes não tem conhecimento da importância desta agência de fomento à pesquisa. Como o senhor a destacaria?
O momento talvez seja histórico. Neste jubileu de prata, por ela lançar novos projetos, além da internacionalização, há uma intensa preocupação com a formação de recursos humanos qualificados dentro das nossas instituições. Atualmente, a Fapemig mensalmente oferta aproximadamente 8 mil bolsas de pesquisa para a comunidade científica do Estado de Minas Gerais. Estabeleceu uma série de parcerias para estimular a geração de produtos e inovação. Ou seja, há uma nítida ideia da Fapemig em sair, entre aspas, dos muros acadêmicos e se aproximar das empresas. Nesse quesito, um bom exemplo é a parceria da Fapemig com a Fiat, Vale e, mais recentemente, com a Cemig.