Alunos da UNIFENAS e de outras instituições de ensino superior participaram da Jornada
Com a finalidade de debater um tema tão polêmico como as DSTs/AIDS, a Liga de Infectologia e o Projeto de Extensão DST/AIDS se juntaram e promoveram a 1ª Jornada.
O evento ocorreu em dois dias: no primeiro, houve três palestras sobre a “Infecção: sentença ou descuido”, proferidas pelo Dr. Luiz Carlos Coelho, infectologista; Dr. Talles Dias Orsi, Ginecologia e obstetra; e Rosemeire Fonseca da Silva, Enfermeira do Hospital Universitário Alzira Velano.
No dia seguinte, os presentes prestigiaram a mesa-redonda “HIV/AIDS – Experiência e Vida”, que contou a presença da enfermeira Grazielle Miranda; Professor Márcio Moterani Swerts, coordenador do curso de Psicologia; Dr. Adrian Bueno Nogueira, reumatologista e especialista em DSTs; a advogada Beatriz Pacheco, paciente soropositiva; e Gustavo Tavares Canalonga, paciente soropositivo, formado em Comunicação Social e autor do livro “Revirando a lata de lixo, eu me encontrei”.
Beatriz Pacheco tem 65 anos de idade, quatro filhos e três netos. Ela contraiu o vírus durante o primeiro casamento; hoje está na terceira união e não passou a doença para eles. Ela conta que vive com o HIV há 22 anos e tem o diagnóstico há 17. “Nesta época não havia medicação e eu tive a famosa morte anunciada de que eu viveria por mais 18 meses. A cada dia da minha vida eu agradeço, pois vai fazer 18 anos que me disseram isso”.
De acordo com a advogada, os portadores do HIV, de alguma maneira, assumem a estigmatização que a sociedade impõe, e que isso não pode ser feito. “Descobri que é possível ser extremamente feliz, independente do HIV, desde que a gente vença os preconceitos e tenha a consciência de quem a gente é: a mesma pessoa que era antes”
Beatriz enfatiza que o HIV é um vírus que está no corpo, mas ele não modifica história de vida da pessoa e não há motivo algum para estar escondida. “Hoje é possível viver e ser feliz com quem tem o HIV, basta usar o preservativo, se cuidar e se amar muito. Lembrem-se de que pouco importa o que os outros pensam de nós. O que importa é o que nós sabemos de nós”.
O maquiador e cabeleireiro soropositivo Gustavo Tavares Canalonga tem 49 anos. Ele foi usuário de cocaína por 30 anos, 25 de maconha, em seguida passou pelo álcool e há 10 anos que não utiliza nenhuma destas drogas. Hoje sua rotina é proferir palestras sobre sua experiência de vida e sobre seu livro “Revirando a lata de lixo, me encontrei”. A obra é uma autobiografia, cujo foco principal é a necessidade de quebrar o preconceito contra os soropositivos. “Eu sofri muito com a descriminação e hoje me tornei ativista e trabalho com palestras para dar a oportunidade para as pessoas se renovarem através da dor do outro”.
No fim de sua fala, ele enfatizou: “Meus queridos, prevenção é o caminho; usem a camisinha”.
Projeto multidisciplinarA presidente da Liga de Infectologia, acadêmica de Medicina Juliane Rodrigues Rangel de Assis, conta que buscou esta interação com o Projeto DST/AIDS para promover um projeto multidisciplinar, “mostrando que na medicina precisamos da colaboração de todas as áreas”.
Maria Auxiliadora Soares Prado, coordenadora do projeto DST/AIDS, relata que a proposta da Jornada é agregar, juntar forças para um bem comum, sempre conscientizando de que não se faz sexo sem camisinha, pois a AIDS está avançando cada vez mais. “E as últimas estatísticas apontaram que a incidência da doença está alta entre os homossexuais na faixa dos 14 aos 25 anos.”
Dr. Adrian Nogueira observa que um evento como a Jornada é fundamental porque traz a prevenção, feita através do preservativo. “E eu sempre ressalto em minhas falas que a AIDS não se pega com carinho, com amor, com abraço, com confraternização e amizade. A AIDS se pega com a falta de proteção”.
Aron Rodrigues, presidente do Projeto DST/AIDS, comenta que as doenças sexualmente transmissíveis são infecções e por isso nada melhor que se juntar à Liga de Infectologista para promover trabalhos em Alfenas e região.