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16 de setembro de 2011

Egresso da UNIFENAS, professor na USP, fala sobre a profissão do médico veterinário

José Rodrigo Pimentel passou por várias experiências até chegar ao pós-doutorado e conta o que é preciso para ter sucesso na carreira


Rosângela Fressato
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Motivo de grande orgulho para a UNIFENAS, o egresso de Medicina Veterinária José Rodrigo Valim Pimentel é professor substituto na USP, estudou mestrado e doutorado na USP e atualmente cursa pós-doutorado também na Universidade de São Paulo. Nessa entrevista, concedida ao Informativo da UNIFENAS, ele conta qual o caminho percorrido após se formar, como chegou até a USP e ainda dá alguns conselhos para quem almeja o sucesso na área de Medicina Veterinária.

Quando o senhor percebeu a vocação para Medicina Veterinária?

Tenho um primo veterinário, que sempre prestava assistência em fazendas no Mato Grosso. Sempre que podia, nas férias, eu o acompanhava e assim fui me identificando com a profissão.

Estudando e trabalhando em uma universidade de renome como a USP, como o senhor define a qualidade de ensino da UNIFENAS?

Quando eu estudei na UNIFENAS, a curso de Medicina Veterinária era um ponto de referência. Alfenas enfrentou muita pressão das universidades públicas na época de sua criação, porque era a primeira faculdade de Medicina Veterinária particular no Brasil.Então eu tinha colegas na minha sala do país inteiro, que saíam de seus estados para estudar Veterinária em Alfenas.Tem um professor aqui na USP que sempre me conta que a faculdade de Viçosa era muito contra a formação da faculdade de Medicina Veterinária em Alfenas, e a UNIFENAS teve que primar por um nível de ensino acima do esperado de uma universidade pública.

Sempre tivemos excelentes professores, equipamentos. Mais tarde, acho que em 86, 87, abriu-se uma faculdade em São João da Boa Vista, minha cidade, e depois em vários municípios. Eu tinha a oportunidade de estudar na minha cidade, mas eu optei por ir para Alfenas. Quanto à qualidade do ensino, hoje existem faculdades com a grade curricular muito fraca. Me lembro que tínhamos aula de manhã, tarde e, às vezes, à noite.

Comente sua trajetória desde a graduação até o pós-doutorado.

Saí da UNIFENAS e fui fazer estágio no Centro de Treinamento do Jocquei Clube de São Paulo, em Campinas, e em seguida fiz residência neste Jocquei Clube. Depois disso, o tio de minha esposa, que morava em Cuiabá, me convidou para trabalhar lá em algumas fazendas. Fiquei trabalhando durante três anos na parte clínica médica e cirúrgica e também na área de reprodução de equinos. Em seguida peguei uma fazenda com 30 mil cabeças de bovinos para administrar e cuidar da parte reprodutiva. Após isso, meu primeiro filho nasceu e minha esposa quis voltar para Minas Gerais. Fomos para Boa Esperança e eu prestei serviços para a Cooperativa de lá por uns oito anos praticamente. Depois eu comecei a ficar meio cansado de trabalhar no campo e fui fazer o mestrado na FMVZ/USP (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia), onde realizei o desenvolvimento do dispositivo de liberação de progesterona intravaginal para controle do ciclo estral de fêmeas bovinas. Junto ao mestrado, trabalhei com clonagem, mais especificamente na obstetrícia e neonatologia dos clones bovinos. Em seguida fiz o doutorado, trabalhando com nano partículas poliméricas com progesterona produzidas em meio super-crítico. Terminei o doutorado e comecei o pós-doutorado, agora no Laboratório de morfologia molecular e desenvolvimento que faz parte da FZEA (Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos), sob a supervisão do professor Dr. Flavio V. Meirelles. Trabalho ainda com a clínica e obstetrícia dos clones e agora, também, na produção de células-tronco a partir de nano fibras poliméricas.

Como o senhor analisa o mercado de trabalho na área de Medicina Veterinária?

Acho que o mercado de trabalho para o médico veterinário na região Sudeste está meio sobrecarregado. Mas no Norte do país está faltando profissional. Se o cara for trabalhar, por exemplo, com pequenos animais em Rio Branco, no Acre, ele vai ficar rico. Se quiser permanecer aqui no Sudeste, ele vai ter que encarar um mercado extremamente diluído. Saber uma língua estrangeira também é fundamental.

O que não pode faltar na agenda de um candidato a médico veterinário que deseja cursar doutorado e até mesmo pós-doutorado, como o senhor?

Eu aconselho ao candidato, ao terminar a graduação, ir trabalhar no campo, por dois ou três anos e só depois ir para uma pós-graduação. Porque o que a gente vê aqui na USP é pessoas que saem da graduação e já entram na pós-graduação e, daqui a pouco, estão na docência. É preciso também fazer estágios em todas as áreas. Eu já vi muita gente entrar na faculdade e dizer: “eu quero trabalhar com pequenos animais porque eu gosto de cachorro”. E, lá na frente, quando ele começa a participar das aulas de clínicas de pequenos animais, ele começa a ter dó deles, descobrir coisas que não eram sua intenção e acaba se frustrando um pouco com a profissão. Então o conselho que eu tenho para o aluno do primeiro ano é que, já que ele entrou na faculdade porque ele gosta de animal, procure manter a mente aberta logo no início do curso, ou seja, fique disponível para todos os setores.