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21 de setembro de 2011

Professor Enio Rodrigues fala sobre projeto de valorização humana

O projeto evolve a UNIFENAS, campus de Belo Horizonte, e a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados de Santa Luzia


Anderson Oliveira
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Professor Enio Rodrigues

A UNIFENAS, campus de Belo Horizonte, por meio do psiquiatra e professor Enio Rodrigues, do curso de Medicina, assina convênio com a APAC - Associação de Proteção e Assistência aos Condenados - de Santa Luzia. O trabalho da APAC dispõe de um método de valorização humana, vinculado à evangelização, para oferecer ao condenado condições de se recuperar. Busca também em uma perspectiva mais ampla, a proteção da sociedade, a promoção da justiça e o socorro às vítimas. Em entrevista, o Dr. Enio Rodrigues revela como se dará o convênio.

O que estipula o convênio UNIFENAS e APAC?

É um projeto de extensão, por meio de um convênio de parceria, entre a UNIFENAS e APAC, havendo uma co-responsabilização de compreensão das necessidades que os presos têm. A primeira coisa é os alunos compreenderem o que é APAC. No presídio convencional, o sujeito, confinado não tem quem desperte nele as habilidades e competências para o retorno à comunidade. Neste sistema prisional antigo, é praticamente impossível pensar que 30 homens dentro de uma cela, sem atenção psicosocial e sem trabalho de reabilitação psicosocial, voltariam para a comunidade depois de 10 anos de penas cumpridas. Como eles voltariam? Eu acredito que o Sistema APAC é uma possibilidade a reabilitação para que eles não repitam o crime. A gente vê que a APAC, de fato reduz a reincidência no crime.

O projeto entre UNIFENAS e APAC levará todos os cursos da Universidade para prestar serviços separadamente?

Não, esse é o segundo passo deste projeto. Dentre os sete cursos da UNIFENAS, se formos separar, vamos repetir o projeto da disciplinarização lá dentro. Se for com essa premissa primeiro, não se vai promover a interdisciplinaridade.

Para não correr o risco de repetir a disciplinarização no projeto, quais medidas serão adotadas ?

O primeiro passo é fazer este documento de parceria. Estamos com ele pronto e só falta assinar. O segundo é afinar um discurso. É o discurso de compreensão desta pessoa como ser humano; não depende se ele matou, estuprou, roubou. A priori isso não está em questão. O que a Medicina pode fazer por isto? É o discurso de olhar para estes presos e ver nele um sujeito, uma pessoa capaz de fazer diferente, de não fazer a mesma coisa, de acreditar neste sujeito que infringiu a norma e que é possível recuperá-lo. Eu só vou conseguir pensar e melhorar este sujeito se eu enxergar esta pessoa para além do ato que ele cometeu. O desafio do projeto é colocar os alunos de todos os cursos da UNIFENAS-BH trabalhando juntos, dentro da APAC.

Que discurso vai fazer o elo dos cursos?

É o discurso da Humanização, da responsabilidade social, da sensibilização. Deter este trabalho negativo com o crime, que leva o sujeito para a prisão.

O que lhe chama mais atenção no sistema APAC de ressocialização dos presos?

Me chama atenção e, eu acho belíssimo de ver, que os presos não abaixam a cabeça em respeito a qualquer pessoa. No sistema APAC eles são gestores do processo. Então na APAC os próprios recuperandos são gestores das oficinas terapêuticas que têm lá dentro. Eles criam o órgão de conselho de sinceridade e solidariedade, para fazer parceria de conversa com o gestor e os próprios colegas, há uma lojinha lá dentro onde eles vendem as coisas que eles mesmos fazem. E eles têm a chave de vários lugares lá dentro. O próprio porteiro do presídio é um recuperando da APAC. Cada dia trabalhado é um dia a menos de pena. Isso por si só não garante, mas é um fator diferencial para eles, que estão trabalhando e produzindo, recebem cursos do SESC, SESI, de acadêmicos e professores da PUC e da UFMG o EJA está lá dentro. Tudo isto me fascina na APAC.

O que o senhor espera do projeto?

Eu espero que os presos possam ensinar os alunos e aprender com os alunos. Se os alunos permitirem que os recuperandos contem suas histórias, para mim já está bom, já é um ganho para as profissões deles. Não é fazer uma anamnésia. É colher uma história de vida e, depois que tiver esta compreensão, nós vamos desenvolver outros projetos com a APAC.

Para que os acadêmicos da UNIFENAS façam parte deste projeto, como devem proceder?

A gente vai fazer agora um projeto de capacitação de professores de cada curso da UNIFENAS, pois em cada um vai haver um professor responsável gerenciando este projeto de extensão junto à APAC. A capacitação vai durar dois meses, com uma aula por semana de aproximadamente duas horas. Vamos fazer uma convocação para mais ou menos cinco alunos por curso. Estes acadêmicos irão fazer o curso junto com os professores. A primeira turma deve ter 35 alunos capacitados.

Em que dias acontecerão as visitas na APAC ?

Será uma vez por semana, terça- feira ou sábado, em dias alternados; uma vez no final de semana e outro meio de semana.