Universidade apoia atividades ao Dia da Luta Antimanicomial
A comemoração contou com a participação dos usuários do CAPS de Alfenas
Rosângela Fressato
A peça Dona Baratinha foi toda encenada por usuários do CAPS sob a coordenação do curso de Enfermagm
“Sustentar a diferença: saúde não se vende, gente não se prende”. Este foi o tema do Dia Nacional da Luta Antimanicomial 2012, celebrado em 18 de maio.
Para comemorar a data, funcionários e usuários do Centro de Apoio Psicossocial (CAPS) de Alfenas, professores e alunos do curso de Enfermagem da UNIFENAS realizaram diversas atividades na Praça Getúlio Vargas, como exposição de artesanatos, caminhada, apresentação musical dos usuários do Centro de Convivência, apresentação do Coral do CAPS e encenação da peça teatral Dona Baratinha.
A psicóloga do CAPS e egressa da UNIFENAS, Karina Diniz Lopes, conta que o objetivo do evento é mostrar para a população que o paciente psiquiátrico é uma pessoa normal. “A loucura está nos nossos olhos. Queremos mostrar que os manicômios estão deixando de existir e os tratamentos estão sendo feitos em ambulatórios de saúde pública, de saúde mental.”
Dagmar da Costa Esteves Chaves, professora da disciplina Saúde Mental, CTI e Saúde do Adulto do curso de Enfermagem, observa que algumas vezes o acadêmico pensa que irá cuidar somente de pessoas aparentemente normais. Porém, no CAPS há uma interação de várias doenças psiquiátricas e lá os alunos percebem que estas pessoas podem também ter um desenvolvimento, como a execução de um teatro de questões normais do cotidiano.
“E hoje é um dia de reflexão: nós podemos atendê-los com humanização; devemos deixar a discriminação de lado. A população acha que estas pessoas, cujas alterações que fujam da normalidade são loucas, têm que ficar trancadas, sedadas. E não é assim.”
Os alunos do 7º período de Enfermagem fazem estágio no CAPS e, a pedido dos próprios usuários, eles coordenaram a peça de teatro. Para a estudante Jamile Salomão, a encenação teatral foi uma forma de ressocialização. Ela enfatiza que, por mais que se lute contra, ainda há um certo preconceito ao pensar no CAPS como lugar de pacientes agressivos ou em surto. “E não é bem assim; com os medicamentos, com o tratamento, com terapia, eles conseguem viver como uma pessoa normal. No começo, temos receio de nos aproximar destas pessoas, mas eles são muito receptivos, são muito carinhosos.”