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28 de agosto de 2012

ENTREVISTA Marilane Carvalho, psicóloga do Serviço de Apoio Psicopedagógico da UNIFENAS

“... o objetivo do trabalho SOP é auxiliar os alunos tanto em questões acadêmicas, vocacionais e pessoais, mas pressupõe que o aluno identifique algum sofrimento e procure pelo atendimento”, diz Marilane


Rosângela Fressato
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Apoiar o estudante em seu desenvolvimento acadêmico, pessoal, social e profissional ao longo de sua trajetória na universidade é a missão do Serviço de Apoio Psicopedagógico, órgão que existe na UNIFENAS desde 2010.

A suas maiores funções são orientações, aconselhamentos e psicoterapia breve. Para falar mais sobre este departamento da UNIFENAS, convidamos a psicóloga Marilane Carvalho, profissional responsável por este trabalho.



Qual a grande finalidade do SOP?

Acolher, atender, orientar, esclarecer dúvidas de questões acadêmicas e pessoais, apoiando os alunos para o pleno desenvolvimento do ser universitário; colaborar com os coordenadores na orientação de estudantes de seu curso; acolher os pais que se interessam e desejam conhecer mais a universidade, para melhor acompanhar os seus filhos, na condição de estudantes universitários. Sua importância reside no fato de que a universidade é considerada um ponto intermediário entre a juventude e a vida adulta. O final da adolescência e início da vida adulta é um período marcado por mudanças psicossociais importantes, entre as quais a transição de estudante de ensino médio para estudante universitário e futuro profissional. Os primeiros anos de universidade caracterizam-se como uma combinação entre dessocialização – pressão para desaprender certas atitudes, valores, crenças e comportamentos, e socialização – pressão para aprender novas atitudes, valores e crenças e participar de uma nova cultura e ordem social. (Pascarella e Terenzini, 2005).



Como é realizado o trabalho?

Com disse anteriormente, o objetivo do trabalho SOP é auxiliar os alunos tanto em questões acadêmicas, vocacionais e pessoais, mas pressupõe que o aluno identifique algum sofrimento e procure pelo atendimento. O professor também pode perceber mudanças comportamentais no aluno (faltas, desinteresse, baixo rendimento) e encaminhá-lo ao SOP. Outros alunos vêm encaminhados pelo coordenador do curso ou pelos próprios colegas que às vezes já fez acompanhamento e o sugerem ao colega.

O trabalho é realizado individualmente com sessões de orientação, aconselhamento e psicoterapia breve, de acordo com a necessidade de cada aluno.



Que tipo de problemas, questões, conflitos os pacientes/alunos mais levam? Isso pode refletir nos estudos?

São diversas as questões que podem interferir no rendimento do aluno. Algumas questões mais presentes são dificuldade de mudanças de hábitos, principalmente para os estudos. Ainda iniciam o curso pensando em estudar só para as provas com faziam anteriormente até o ensino médio. Quando começam as primeiras provas e o aluno recebe as notas, vêm as decepções. Ansiedade é umas das características marcantes nesse período, porque o estudante acha que não vai dar conta, além de sofrer pressão familiar. Volto a dizer que é o período de descompasso entre o amadurecimento biológico e o social. O aluno precisa amadurecer e perceber que sua aprendizagem agora é ativa, ou seja, ele é sujeito da aprendizagem e isso implica mudanças de hábitos, pois a aprendizagem de formação universitária é contínua e não mais somente para as provas. Outros alunos deprimem-se perdem o interesse, sentem-se desmotivados, pensam em abandonar o curso.

Outra questão presente é o aluno que veio de outra cidade/estado e precisa organizar sua vida longe do seio familiar. Sente-se num meio estranho, a separação do lar e costumes diferentes podem ser fontes de estresse e influenciar na condição emocional do aluno.

Conhecer a realidade desses jovens e apoiá-los nessa fase de transição da vida, no entendimento de seus conflitos, pode evitar que ele se isole, num processo de ensimesmar-se com passividade e abandonar seus estudos.



Em quantas sessões são solucionadas estas questões?

Quando o aluno procura o SOP, eu realizo a primeira entrevista e, nesse encontro, fazemos um contrato de atendimento. Faço uma avaliação das questões apresentadas e iniciamos o acompanhamento. No caso da psicoterapia breve, o contrato é de quinze sessões e, se for necessário o aluno continuar um aprofundamento nas suas características da personalidade, ele já sabe que será encaminhado para outro profissional que o aluno escolhe. Mas orientamos todo o seu encaminhamento. Muitas vezes não é suficiente o tempo das sessões. Na entrevista faço avaliação e ele já é orientado que, diante da problemática apresentada, provavelmente precisará de mais tempo. As sessões são semanais, com duração de 50 minutos.



Este trabalho é um requisito necessário nas universidades?

É fundamental. Estudiosos da área confirmam o contexto de vulnerabilidade do sofrimento psicológico dos alunos. Estes podem apresentar prejuízo no rendimento acadêmico, menor envolvimento geral na formação, dificuldades de relacionamento e na aquisição de competências, o que traz uma diminuição do aproveitamento da vida acadêmica como um todo. As pesquisas revelam que há baixo aproveitamento e grande número evasão e retenção.



Como os interessados devem proceder, caso queiram ser atendidos no SOP? É feita uma inscrição, triagem ou algo do tipo?

Não precisa fazer inscrição, nem passam por triagem. Todos os alunos são atendidos, cada um com suas particularidades. Podem agendar a sessão por telefone (3299-3000) pedir o ramal do SOP ou, pessoalmente, na sala do SOP, que se localiza no corredor da Pirâmide Azul, bloco 4, em frente à cantina. Os horários de atendimentos estão no site da UNIFENAS, no portal do aluno (SOP) e também estão afixados na própria sala do SOP.