Emersson Tinoco da Silveira
O egresso do curso de Agronomia da UNIFENAS (turma 1995), câmpus de Alfenas, Emersson Tinoco da Silveira é assistente técnico da Cooparaíso, uma cooperativa de café da cidade de São Sebastião do Paraíso e também professor de educação profissional e instrutor do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) em aplicação de agrotóxico. Em entrevista, o ex-aluno conta como foi estudar e morar em Alfenas e também opina sobre o mercado de trabalho para o engenheiro agrônomo.
O que o levou a buscar a Agronomia na UNIFENAS?A família dos meus pais é muito simples, do meio rural, e sempre gostei da vida no campo. Varginha e Alfenas eram bem referendadas, conhecidas naquele interior nosso; ouvíamos muito propaganda rádio. Assim descobri que em Alfenas havia o curso de Agronomia. Com 23 anos eu já estava formado.
Como foi estudar e morar em Alfenas?Foi um período difícil, a gente chorava muito, havia pouquíssimos telefones públicos na cidade, tinha que usar ficha de DDD, que era caríssimo. Também foi uma época de perda de pai, de irmão. Para pagar a faculdade, tive que trabalhar como garçom, dar banho em cachorro, cuidava de canil. Na UNIFENAS eu tive uma ajuda dos professores com a bolsa de iniciação científica pela FAPEMIG. Isso me ajudou a terminar o curso naquele momento difícil, da mudança do Plano Real, mudança da política do país.
Você mencionou a iniciação científica. Nem todos os alunos da graduação se preocupam com esta questão. Como destaca esta importância da Universidade, de certa forma, incentivar o estudante?Um dos fatores que me ajudaram profissionalmente foi minha curiosidade em descobrir coisas novas. Então, com a iniciação científica na UNIFENAS, quando eu chego em uma propriedade e vejo um problema, já começo a criar algumas hipóteses. Isso é a base científica da pesquisa. Então, a iniciação científica é fundamental, seja patrocinada, seja puramente para fazer o seu TCC, para fazer a sua monografia. Aprofunde porque isso vai ser muito valorizado na sua vida profissional.
Como você analisa o mercado na área do engenheiro agrônomo?O mercado quer e exige bons profissionais, com boa vontade, empenho, interesse e, acima de tudo, ética no que está fazendo. Deixo o recado para quem está saindo da Universidade: o campo está aquecido, a área de agronomia precisa de bons profissionais que estejam interessados em trabalhar e construir coisas novas; a remuneração é consequência de todo o trabalho que você vem fazendo.
Que conselho daria aos acadêmicos para terem um bom desenvolvimento profissional?Eu sempre fiz estágios em todas as áreas da agronomia, e é isso que eu deixo de mensagem: façam estágios em todas as áreas que conseguirem, seja na fabricação de pão, fabricação de cachaça, na assistência técnica, na pesquisa; abram seu leque e com isso no futuro vocês vão se especializar.